Não existem empresários que querem se aproveitar de trabalho barato, diz Robson de Andrade CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, comentou em uma entrevista no início de julho que mudanças na legislação trabalhista precisam ser feitas. É uma forma de adequá-la ao novo panorama que o mercado do século 21 exige.

Para isso citou como exemplo a França, um dos países mais desenvolvidos do mundo e que alterou a sua legislação para que a jornada de trabalho semanal pudesse ser de até 60 horas e a diária de 12. Essa possibilidade só ocorre em casos excepcionais e a legislação do país também ajuda a flexibilizar a acordos de trabalho.

A entrevista dada por Robson de Andrade foi o bastante para que a atualização da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) começasse a ser pensada para que ocorram melhorias para a economia e, consequentemente para os trabalhadores.

Mudanças precisam ser feitas

O presidente da CNI visa, na verdade, apenas que ocorra uma flexibilidade nos acordos entre empresas e sindicatos que não necessariamente tenham a ver com aumento ou redução da carga horária de trabalho. Isso melhoraria as relações de trabalho, mas, segundo Andrade, há um entrave por conta do “corporativismo das centrais sindicais” e centrais sindicais não geram empregos.

Para ele, essa visão de que os empresários exploram dos trabalhadores e que querem pagar um salário baixo é atrasada. As empresas entendem hoje que remunerar bem o funcionário aumenta a produtividade, a motivação e o interesse em ser melhor naquilo que faz.

Por que a flexibilidade é um bom caminho

Nesse momento de crise financeira do país e de números alarmantes de desemprego, precisamos pensar em como criá-los. Quando uma legislação dificulta esse panorama, as empresas pensam se vale realmente a pena investir o capital em um país com tanta burocracia trabalhista e acabam instalando suas fábricas e empresas em outro local. Uma mudança na legislação mudaria isso e o Brasil passaria a oferecer mais vagas para sua população.

Atualmente, os trabalhadores são mais instruídos e devidamente capacitados para negociar com as empresas sobre o serviço a ser prestado. Isso já acontece em muitos países e essa flexibilidade acaba gerando mais empregos. Se o Brasil continuar com a rigidez de anos, as empresas daqui deixam de ser competitivas para o mercado lá fora.

Exemplos bem claros disso são países como França e Espanha que se viram obrigados a mudar a forma rígida de sua legislação trabalhista para se tornarem mais competitivos dentro do bloco europeu. Muitas empresas estão preferindo países como Bulgária e Polônia por oferecerem maior flexibilidade nessa relação trabalhista e assim, gerando mais empregos e riquezas nesses locais.

Mudanças na carga horária do trabalhador

Segundo Robson Braga de Andrade, essa carga horária precisa ser flexibilizada porque existem empresas no país que trabalham 44 semanais e outras que trabalham menos. É preciso adaptar os acordos de forma que tanto a empresa quanto o trabalhador saiam ganhando. O problema é que a legislação não respeita esses acordos por mais vantajosos que eles sejam.

Um exemplo muito claro de como essa flexibilidade pode ajudar é no caso de trabalhadores que são contratados para atuar em outro estado. Ele não pretende morar lá, apenas quer trabalhar, ganhar o dinheiro e voltar para casa o mais rápido possível. Se houvesse maior flexibilidade na carga horária, o trabalho poderia ser terminado em menos tempo e de acordo com a disponibilidade do trabalhador.